Raízen entra com pedido de recuperação extrajudicial, com R$ 65,1 bilhões em dívidas
Dívida de R$ 65,1 bilhões leva Raízen à recuperação extrajudicial A Raízen anunciou nesta quarta-feira (11) que entrou com um pedido de recuperação ext...
Dívida de R$ 65,1 bilhões leva Raízen à recuperação extrajudicial A Raízen anunciou nesta quarta-feira (11) que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial, em meio a negociações com credores para renegociar dívidas e reforçar o caixa da empresa. 🔎 A recuperação extrajudicial é um acordo em que a empresa renegocia parte das dívidas diretamente com alguns credores, sem a mediação da Justiça. O objetivo é conseguir mais prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como a falência. O objetivo é criar um ambiente jurídico mais seguro para negociar e reorganizar as dívidas financeiras do grupo, que somam cerca de R$ 65,1 bilhões, além de valores devidos entre empresas do próprio grupo. Em comunicado, a empresa informou que o pedido foi protocolado na Justiça de São Paulo e foi estruturado em acordo com seus principais credores quirografários — aqueles que têm valores a receber da empresa, mas não contam com garantias, como imóveis ou máquinas. São credores que ficam atrás daqueles que têm bens dados como garantia em processos de renegociação ou recuperação. Nessa categoria podem estar bancos, investidores ou fornecedores que concederam crédito sem exigir garantias. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a companhia, o plano já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas sem garantia, percentual suficiente para apresentar o pedido de recuperação extrajudicial. A partir de agora, a empresa terá até 90 dias para obter o apoio mínimo necessário para que o plano seja aprovado pela Justiça e passe a valer para todos os credores incluídos na negociação. O plano pode incluir aporte de dinheiro pelos acionistas, transformação de parte das dívidas em ações da empresa, troca de débitos por novos prazos de pagamento, mudanças na estrutura da companhia e venda de ativos. “A recuperação extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios”, disse a empresa em comunicado. Dívidas e pressão financeira A Raízen anunciou nesta quarta-feira (11) que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial, em meio a negociações com credores para renegociar dívidas e reforçar o caixa da empresa Divulgação A empresa de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis enfrenta pressão financeira após ver sua dívida líquida chegar a R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro, segundo dados divulgados anteriormente. Nas últimas semanas, a controladora Cosan (CSAN3) vinha indicando que uma solução para a situação da empresa poderia ser anunciada em breve, segundo a Reuters. Em teleconferência com analistas, o CEO da companhia, Marcelo Martins, afirmou que as negociações avançavam com credores e acionistas. “Isso tudo acabou resultando em uma conversa estruturada com os credores, e que nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen”, disse Martins. A Raízen já havia informado que avaliava uma proposta de capitalização liderada pela Shell, no valor total de R$ 4 bilhões. O plano previa um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e mais R$ 500 milhões de um veículo de investimento ligado à família do empresário Rubens Ometto. 🔎 Na prática, esse dinheiro entraria na empresa como novo capital, fortalecendo o caixa e ajudando a equilibrar as finanças enquanto a companhia renegocia suas dívidas. Em comunicado divulgado no final de fevereiro, a companhia afirmou que também analisava reestruturar suas dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial. Segundo Martins, já havia “um engajamento bastante forte” nas conversas envolvendo credores, a Shell e o próprio Ometto, que integra o grupo controlador da Cosan. Tentativa de reorganização A situação financeira da Raízen se deteriorou nos últimos anos em meio a altos investimentos, condições climáticas instáveis que afetaram as safras — resultando em desempenho mais fraco na moagem de cana e nos preços do açúcar — e juros elevados, fatores que pressionaram o caixa da companhia. No terceiro trimestre da safra 2025/26, encerrado em dezembro de 2025, a Raízen registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões. Grande parte desse resultado foi causada por um ajuste contábil de R$ 11,1 bilhões no valor de alguns ativos. Sem esse efeito, a perda teria sido de cerca de R$ 4,5 bilhões. No período, a empresa teve receita de R$ 60,4 bilhões, queda de 9,7% em relação ao ano anterior. A dívida líquida chegou a R$ 55,3 bilhões. Diante desse cenário, a companhia vem executando um plano para reduzir custos, vender ativos e diminuir o endividamento. Em 2024, a Raízen esteve entre as empresas do setor sucroenergético afetadas por incêndios que atingiram o interior de São Paulo. Na ocasião, as queimadas impactaram cerca de 1,8 milhão de toneladas de cana-de-açúcar. Saiba mais na reportagem abaixo. Expansão, dívida alta e resultados em queda: entenda a crise da Raízen Ainda no mês passado, o CEO da Cosan afirmou que a holding não participaria diretamente da capitalização em discussão, mas seguiria acompanhando as negociações como acionista. “Mas nós como acionistas e conselheiros temos acompanhado esta evolução e acreditamos que nos próximos dias a gente deva ter novos desdobramentos desse plano de encontrar uma saída adequada para a companhia”, afirmou, segundo a Reuters. A Cosan é controlada pelo empresário Rubens Ometto e sua família por meio da Aguassanta, embora tenha ações negociadas na B3 e conte com investidores minoritários. Já a Raízen tem controle compartilhado entre Cosan e Shell. A companhia foi criada em 2011 como uma joint venture entre as duas empresas, que dividem as decisões estratégicas do negócio. No ano passado, a Aguassanta Participações, holding que reúne os investimentos da família Ometto, firmou acordos com os fundos BTG Pactual e Perfin para um aporte de capital na Cosan. A operação tinha como objetivo ajudar a reduzir o endividamento do grupo. Pelo acordo, a Aguassanta manterá os direitos de voto na companhia. LEIA MAIS O que diz a empresa "A Raízen afirma que a renegociação envolve apenas parte das dívidas financeiras e não afeta as operações da companhia. Leia a nota na íntegra: "A Raízen informa que protocolou nesta quarta-feira (11) pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial, voltado à reorganização de parte de suas obrigações financeiras junto a credores da companhia. A proposta foi estruturada em diálogo com esses credores e tem como objetivo estabelecer um ambiente jurídico adequado para a negociação e implementação de ajustes em determinadas obrigações financeiras, no âmbito da estratégia da companhia de otimização de sua estrutura de capital. A empresa ressalta que o escopo da recuperação extrajudicial é estritamente financeiro e não envolve dívidas ou obrigações operacionais. Dessa forma, permanecem integralmente preservadas as relações da Raízen com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros de negócios, que seguem regidas normalmente pelos respectivos contratos. Todas as operações da companhia continuam sendo conduzidas normalmente, incluindo o atendimento a clientes, a relação com fornecedores e a execução de seus planos de negócios. O plano apresentado prevê prazo de até 90 dias para a obtenção das adesões necessárias à sua homologação, nos termos da legislação aplicável. A Raízen manterá seus acionistas e o mercado informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relacionados a este tema."